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Qual a pena para Lesão Corporal no Código Penal?

Receber uma intimação policial ou ser acusado de um crime é um momento de extrema angústia. Entre as acusações mais comuns no dia a dia forense está a de lesão corporal. No entanto, o que muitos não sabem é que este crime possui diversas variações, e a pena para lesão corporal pode mudar drasticamente dependendo das circunstâncias, da gravidade do ferimento e, principalmente, da estratégia de defesa adotada.

No Cavalcanti Advogados, entendemos que toda história tem dois lados. Muitas vezes, o que é registrado em um Boletim de Ocorrência como uma agressão injustificada foi, na verdade, um ato de legítima defesa ou um incidente sem a intenção de ferir.

Neste artigo completo, vamos explicar detalhadamente o que diz o Código Penal (CP) sobre o Artigo 129, quais as punições previstas e, o mais importante: como um advogado criminalista atua para proteger a liberdade e os direitos de quem está sendo acusado.

Boa Leitura!

O Conceito Jurídico de Lesão Corporal

Antes de falarmos sobre números e anos de prisão, é fundamental compreender o que configura este crime. O Artigo 129 do Código Penal define a lesão corporal como a conduta de “ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”.

Isso significa que a lesão não se resume apenas a cortes, fraturas ou hematomas visíveis (integridade corporal). Ela também abrange danos à saúde física ou mental da vítima, como a transmissão proposital de doenças ou abalos psíquicos severos decorrentes de uma agressão.

Para a defesa, o ponto crucial é analisar o dolo (a intenção). Você teve a intenção de machucar? Ou o resultado foi um acidente? Ou ainda, você queria apenas se defender? Essas nuances mudam completamente a aplicação da pena.

Classificação e Pena para Lesão Corporal

O Código Penal Brasileiro estabelece uma graduação para este delito. A pena para lesão corporal não é única; ela funciona como uma “escada”, onde a punição sobe conforme a gravidade do resultado deixado na vítima.

Vamos analisar cada uma delas sob a ótica da defesa:

1. Lesão Corporal Leve

Esta é a modalidade mais comum. Ocorre quando há ofensa à integridade física, mas sem as consequências graves listadas nos parágrafos seguintes (que veremos adiante). São, geralmente, arranhões, equimoses (manchas roxas), inchaços ou pequenos cortes.

  • Pena: Detenção, de 3 meses a 1 ano.

A visão da defesa: Em casos de lesão corporal leve, a prisão em regime fechado é extremamente rara para réus primários. A estratégia aqui foca nos Juizados Especiais Criminais (JECrim). A lei permite institutos despenalizadores, como a Transação Penal ou a Suspensão Condicional do Processo. Basicamente, o advogado trabalha para que o processo seja encerrado mediante o cumprimento de medidas alternativas (como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços), sem que isso gere antecedentes criminais ou prisão, mantendo a ficha do cliente limpa.

2. Lesão Corporal Grave

A situação torna-se mais delicada quando a lesão resulta em consequências mais sérias. Para ser considerada grave, a agressão deve resultar em:

  1. Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias (ex: a vítima não pôde trabalhar ou estudar por um mês);
  2. Perigo de vida (atestado por laudo pericial);
  3. Debilidade permanente de membro, sentido ou função (ex: perder parcialmente a visão de um olho ou a força de um braço);
  4. Aceleração de parto (no caso de vítima gestante).
  • Pena: Reclusão, de 1 a 5 anos.

A visão da defesa: Aqui, a pena de reclusão já permite um rigor maior. O papel do Cavalcanti Advogados é questionar a materialidade. O laudo pericial (Exame de Corpo de Delito) foi feito corretamente? Realmente houve perigo de vida ou foi apenas uma suposição? Se conseguirmos provar que a vítima voltou a trabalhar em 20 dias, por exemplo, o crime pode ser desclassificado para lesão leve, reduzindo drasticamente a pena.

3. Lesão Corporal Gravíssima

O termo “gravíssima” é uma construção doutrinária, pois o Código Penal apenas lista essas situações no parágrafo 2º com uma pena maior. Ocorre se da lesão resulta:

  1. Incapacidade permanente para o trabalho;
  2. Enfermidade incurável;
  3. Perda ou inutilização de membro, sentido ou função;
  4. Deformidade permanente (ex: cicatrizes profundas no rosto, perda de orelha);
  5. Aborto.
  • Pena: Reclusão, de 2 a 8 anos.

A visão da defesa: Nestes casos, a acusação é pesada. A defesa precisa ser técnica e combativa. Analisamos o nexo causal: o aborto ocorreu devido à agressão ou por outra causa preexistente? A deformidade é realmente permanente ou pode ser corrigida com cirurgia simples? Além disso, investigamos a fundo a dinâmica dos fatos para verificar se não houve legítima defesa, o que excluiria o crime.

4. Lesão Corporal Seguida de Morte

Este é o chamado crime preterdoloso: o agente tinha a intenção de ferir (dolo na conduta), mas acabou causando a morte por imprudência ou excesso, sem querer matá-la (culpa no resultado).

  • Pena: Reclusão, de 4 a 12 anos.

A visão da defesa: A diferença entre este crime e o Homicídio é vital. A pena mínima para homicídio simples é de 6 anos, enquanto aqui é de 4. A defesa trabalha arduamente para provar que o acusado jamais teve a intenção de matar, apenas de lesionar, evitando assim que o caso vá a Júri Popular (que julga crimes contra a vida) e garantindo uma pena mais justa e proporcional ao ato.

O Caso Específico da Violência Doméstica

Nos últimos anos, a legislação tornou-se muito mais rigorosa, especialmente com a Lei Maria da Penha. Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade:

  • Pena: Detenção, de 3 meses a 3 anos.

Atenção: Se a lesão for contra mulher, por razões da condição do sexo feminino, a pena é de Reclusão, de 1 a 4 anos.

A visão da defesa: Em casos de violência doméstica, não se aplicam os benefícios do JECrim (como pagar cesta básica). A chance de prisão preventiva aumenta. A atuação do advogado na fase de inquérito policial é decisiva para evitar a prisão cautelar, demonstrando que o acusado possui residência fixa, trabalho lícito e não representa risco à vítima, buscando medidas cautelares diversas da prisão (como o afastamento do lar) em vez do cárcere.

Lesão Corporal Culposa: Quando não há intenção

Nem toda lesão é proposital. Acidentes de trânsito são o exemplo clássico de lesão corporal culposa, onde houve imprudência, negligência ou imperícia, mas nunca a vontade de ferir.

  • Pena: Detenção, de 2 meses a 1 ano.

No trânsito (Código de Trânsito Brasileiro), a pena é diferente (Detenção, de 6 meses a 2 anos).

A visão da defesa: A defesa foca na ausência de responsabilidade ou na “culpa concorrente” da vítima (quando a vítima também contribuiu para o acidente). O objetivo é a absolvição ou a aplicação da pena mínima, convertida em prestação de serviços.

Teses de Defesa: É possível ser absolvido?

Muitas pessoas chegam ao escritório Cavalcanti Advogados acreditando que, porque houve um soco ou um empurrão, a condenação é certa. Isso não é verdade. O Direito Penal brasileiro prevê diversas situações onde a pena para lesão corporal não deve ser aplicada, pois o ato é justificado ou a pena pode ser substituída.

As principais teses que trabalhamos incluem:

1. Legítima Defesa

“Quem se defende não comete crime”. Se você usou os meios necessários moderadamente para repelir uma injusta agressão (atual ou iminente) a direito seu ou de outrem, você deve ser absolvido. Exemplo: Alguém tenta te agredir com um pedaço de pau e, para se proteger, você desfere um soco que quebra o nariz do agressor. Embora haja lesão grave, a ação foi amparada pela lei.

2. Lesão Corporal Privilegiada (Diminuição de Pena)

Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Exemplo: Um pai que agride um homem que acabou de abusar de seu filho.

3. Substituição da Pena

No caso de lesão corporal leve, se as lesões forem recíprocas (ambos se bateram e não se sabe quem começou), o juiz pode deixar de aplicar a pena.

4. Princípio da Insignificância

Embora mais difícil de aplicar em crimes com violência, em casos de lesões ínfimas (um arranhão minúsculo que não gera dor ou sequela), a defesa pode arguir que o Direito Penal não deve se preocupar com fatos irrelevantes.

O Inquérito Policial: O Momento Decisivo

Muitos acusados cometem o erro de esperar o processo chegar ao Juiz para procurar um advogado. No entanto, a definição sobre qual será a pena para lesão corporal ou qual artigo será imputado começa na Delegacia.

Um depoimento mal dado, sem orientação profissional, pode transformar um caso de Legítima Defesa em Lesão Corporal Grave ou até Tentativa de Homicídio.

No Cavalcanti Advogados, acompanhamos o cliente desde a delegacia. Garantimos que:

  • O depoimento registre a versão correta dos fatos;
  • Testemunhas de defesa sejam ouvidas;
  • Provas técnicas (câmeras de segurança, mensagens de celular) sejam preservadas;
  • O delegado tipifique o crime da maneira menos gravosa possível.

As Consequências Além da Prisão

Além da pena privativa de liberdade (prisão ou regime aberto/semiaberto), uma condenação por lesão corporal traz outros prejuízos:

  • Antecedentes Criminais: A perda da primariedade dificulta a vida em novos processos, concursos públicos e até em algumas contratações de emprego (“Ficha Suja”).
  • Reparação de Danos: O juiz pode fixar um valor mínimo para reparação dos danos causados à vítima (indenização financeira).
  • Suspensão de Direitos: Dependendo do caso, pode haver suspensão de direitos políticos enquanto durar a pena.

Por isso, a atuação da defesa não é apenas sobre “tirar da cadeia”, mas sobre preservar o futuro civil e profissional do acusado.

A Importância de uma Defesa Especializada

Como vimos, a pena para lesão corporal varia imensamente. O que define se um acusado enfrentará uma transação penal (pagamento de cestas básicas) ou anos de reclusão muitas vezes não é apenas o fato em si, mas a qualidade técnica da defesa apresentada.

O Código Penal é complexo e cheio de exceções. Estar acusado não significa estar condenado. É direito de todo cidadão ter uma defesa justa, que exponha o contexto, as motivações e as provas que podem levar à absolvição ou à desclassificação para um crime mais leve.

Se você ou um familiar está enfrentando uma acusação de lesão corporal, não espere o processo avançar. A intervenção rápida é a chave para o sucesso processual.

Precisa de orientação jurídica especializada? O Cavalcanti Advogados possui uma equipe experiente em Direito Penal, pronta para analisar seu caso com discrição, técnica e combatividade.

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*Isenção de responsabilidade: Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta jurídica com um advogado. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas individualmente. A legislação pode sofrer alterações.