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O que é Falsificação de produto medicinal ou terapêutico? Entenda o crime, pena e defesa

A falsificação de medicamentos e produtos terapêuticos representa um dos crimes mais severamente punidos pela legislação penal brasileira. Isso ocorre porque, além de envolver possível fraude, essa conduta pode colocar em risco a saúde e a vida de milhares de pessoas.

Entretanto, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é falsificação de produto medicinal ou terapêutico, quais situações realmente configuram esse delito, quais são as penas previstas e como funciona a defesa criminal nesses casos.

A depender das circunstâncias, uma investigação pode atingir fabricantes, distribuidores, importadores, comerciantes, representantes comerciais e até profissionais que sequer tinham conhecimento sobre a origem irregular do produto.

Neste artigo, o escritório Cavalcanti Advogados explica como esse crime é tratado pela legislação brasileira, quais são seus elementos, quais penas podem ser aplicadas e quando é fundamental procurar um advogado criminalista especializado.

Boa leitura!

O que é falsificação de produto medicinal ou terapêutico?

A falsificação de produto medicinal ou terapêutico é um crime previsto no artigo 273 do Código Penal Brasileiro.

Em linhas gerais, a lei pune quem falsifica, adultera, altera ou coloca em circulação produtos destinados à prevenção, tratamento ou cura de doenças quando eles não correspondem às características exigidas pela legislação sanitária.

O objetivo da norma é proteger um bem jurídico extremamente importante: a saúde pública.

Isso significa que a infração vai além de uma fraude comercial. O legislador entende que produtos medicinais irregulares podem causar graves consequências à população, justificando um tratamento penal rigoroso.

O que diz o artigo 273 do Código Penal?

O artigo 273 estabelece que constitui crime:

  • Falsificar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais;
  • Corromper ou adulterar medicamentos;
  • Alterar sua composição;
  • Importar produtos irregulares;
  • Vender ou distribuir medicamentos falsificados;
  • Expor à venda produtos sem autorização;
  • Armazenar medicamentos destinados ao comércio em situação ilegal.

Além disso, a legislação também alcança situações envolvendo medicamentos:

  • Sem registro no órgão competente;
  • Com registro cancelado;
  • De procedência ignorada;
  • Adquiridos em estabelecimentos sem licença;
  • Em desacordo com as normas sanitárias.

Por esse motivo, diversas pessoas podem acabar investigadas em uma mesma operação policial.

Quais produtos podem ser considerados medicinais ou terapêuticos?

Quando se fala em o que é falsificação de produto medicinal ou terapêutico, muitas pessoas imaginam apenas medicamentos vendidos em farmácias.

Na prática, o conceito pode ser bastante amplo.

Entre os exemplos estão:

  • Medicamentos industrializados;
  • Vacinas;
  • Soros;
  • Produtos farmacêuticos;
  • Insumos destinados à fabricação de medicamentos;
  • Produtos terapêuticos;
  • Cosméticos sujeitos à fiscalização sanitária em determinadas hipóteses;
  • Produtos destinados à saúde humana quando abrangidos pela legislação.

Cada caso deve ser analisado individualmente, considerando a regulamentação da Anvisa e as circunstâncias da investigação.

Quando o crime está configurado?

Nem toda irregularidade administrativa caracteriza automaticamente o crime previsto no artigo 273.

Para haver responsabilização criminal, é necessário que sejam analisados diversos elementos, entre eles:

Existência da conduta prevista em lei

A acusação deve demonstrar que houve uma das ações previstas pelo Código Penal, como falsificar, adulterar, vender, importar ou distribuir produtos irregulares.

Relação da pessoa investigada com os fatos

É indispensável comprovar a participação efetiva do investigado.

Em muitos processos, a defesa demonstra que determinada pessoa não possuía qualquer ingerência sobre a fabricação, armazenamento ou comercialização do produto.

Elemento subjetivo

Outro ponto relevante diz respeito ao conhecimento da irregularidade.

Dependendo das circunstâncias, pode haver discussão jurídica sobre a existência de dolo, erro ou ausência de intenção criminosa.

Esses aspectos costumam ser determinantes durante a defesa.

Qual é a pena para falsificação de produto medicinal ou terapêutico?

A pena prevista no artigo 273 do Código Penal é extremamente severa.

A legislação estabelece:

Reclusão de 10 a 15 anos, além de multa.

Trata-se de uma das punições mais elevadas existentes entre os crimes contra a saúde pública.

Além da pena principal, uma condenação pode gerar diversas consequências, como:

  • Antecedentes criminais;
  • Dificuldade para exercício de determinadas atividades profissionais;
  • Perda de cargos públicos, em determinadas hipóteses;
  • Danos à reputação pessoal e empresarial.

Por isso, qualquer investigação envolvendo esse delito exige atuação técnica desde os primeiros atos do procedimento.

Toda irregularidade sanitária configura este crime?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes.

Existem situações em que determinada infração pode gerar apenas responsabilidade administrativa perante a Anvisa ou outros órgãos de fiscalização, sem necessariamente caracterizar crime.

Em outros casos, a discussão envolve:

  • Falta de provas;
  • Erros na cadeia de custódia das evidências;
  • Ausência de participação do investigado;
  • Inexistência de dolo;
  • Enquadramento jurídico inadequado.

Cada investigação possui particularidades próprias.

Por essa razão, nenhuma conclusão deve ser tomada sem análise detalhada do processo.

Como funciona a investigação desse tipo de crime?

As investigações costumam envolver diferentes órgãos públicos.

Dependendo do caso, podem participar:

  • Polícia Federal;
  • Polícia Civil;
  • Ministério Público;
  • Vigilância Sanitária;
  • Anvisa;
  • Receita Federal, em casos de importação.

Também são comuns:

  • Busca e apreensão;
  • Perícias laboratoriais;
  • Quebra de documentos fiscais;
  • Análise de notas fiscais;
  • Rastreamento da cadeia de distribuição;
  • Depoimentos de fornecedores e consumidores.

O resultado dessas diligências pode servir de base para o oferecimento da denúncia criminal.

Como é feita a defesa em um processo por falsificação de produto medicinal ou terapêutico?

A estratégia de defesa varia conforme as provas existentes no processo.

Entre os principais pontos analisados por um advogado criminalista estão:

Verificação da legalidade das provas

É essencial avaliar se buscas, apreensões, perícias e demais diligências respeitaram os requisitos legais.

Provas obtidas de forma irregular podem ser questionadas judicialmente.

Análise técnica da perícia

Em muitos casos, o laudo pericial exerce papel decisivo.

A defesa pode verificar:

  • Metodologia utilizada;
  • Cadeia de custódia;
  • Integridade das amostras;
  • Contradições técnicas.

Demonstração da ausência de responsabilidade

Nem toda pessoa ligada à empresa investigada possui responsabilidade criminal.

É necessário demonstrar quem efetivamente participou dos fatos e qual era sua função.

Garantia dos direitos do investigado

Desde o início da investigação, o investigado possui direitos constitucionais que precisam ser preservados, incluindo o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.

Quando procurar um advogado criminalista?

O ideal é procurar um advogado imediatamente ao tomar conhecimento da investigação.

Muitas pessoas acreditam que somente precisam de defesa após o recebimento da denúncia.

Na prática, isso pode representar perda de oportunidades importantes para produção de provas e adoção de medidas estratégicas.

É recomendável buscar assistência jurídica quando ocorrer qualquer uma destas situações:

  • Recebimento de intimação policial;
  • Convocação para prestar depoimento;
  • Cumprimento de busca e apreensão;
  • Instauração de inquérito policial;
  • Recebimento de denúncia criminal;
  • Investigação envolvendo empresa do setor farmacêutico ou distribuidora.

Quanto mais cedo houver acompanhamento jurídico, maiores são as possibilidades de uma atuação técnica durante toda a investigação.

A importância de uma defesa técnica

Os processos envolvendo crimes contra a saúde pública costumam reunir grande volume de documentos, perícias e questões regulatórias.

Além do Código Penal, frequentemente é necessário analisar normas da Anvisa, regulamentações sanitárias e aspectos técnicos relacionados aos produtos investigados.

Por isso, a defesa deve ser construída com base em uma análise minuciosa dos fatos, das provas e da legislação aplicável, sempre respeitando o princípio constitucional da presunção de inocência.

Cada caso possui características próprias e exige uma estratégia jurídica individualizada.

Preserve Seus Direitos, Consulte um Advogado

Compreender o que é falsificação de produto medicinal ou terapêutico é fundamental para entender a gravidade com que a legislação brasileira trata esse tipo de crime.

Embora o artigo 273 do Código Penal preveja penas bastante elevadas, isso não significa que toda investigação resultará em condenação. A responsabilização criminal depende da análise cuidadosa das provas, da conduta atribuída ao investigado e do respeito às garantias previstas na Constituição.

Se você está sendo investigado ou responde a um processo relacionado à falsificação, adulteração, comercialização ou distribuição de produtos medicinais ou terapêuticos, contar com orientação jurídica especializada desde o início pode fazer diferença na condução do caso.

O Cavalcanti Advogados atua na defesa criminal com compromisso técnico, estratégia e respeito aos direitos fundamentais de cada cliente. Clique abaixo e agende uma consulta.

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FAQ – Perguntas Frequentes 

1. O que é falsificação de produto medicinal ou terapêutico?

É o crime previsto no artigo 273 do Código Penal, que envolve falsificar, adulterar, alterar, importar, vender ou distribuir produtos medicinais ou terapêuticos em desacordo com a legislação sanitária.

2. Qual é a pena para esse crime?

A pena prevista é de reclusão de 10 a 15 anos, além de multa, podendo variar conforme as circunstâncias do caso e a decisão judicial.

3. Quando devo procurar um advogado?

Sempre que houver investigação, intimação policial, busca e apreensão ou denúncia relacionada à suposta falsificação ou comercialização irregular de produtos medicinais ou terapêuticos. A orientação jurídica desde o início é importante para garantir o exercício pleno do direito de defesa.

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*Isenção de responsabilidade: Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta jurídica com um advogado. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas individualmente. A legislação pode sofrer alterações.